Acordo UE-Mercosul: por que o Brasil é o centro da relação entre os dois blocos

  • 17/01/2026
(Foto: Reprodução)
O Brasil e o acordo 'ganha-ganha' entre UE e Mercosul A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, neste sábado (17), vai aproximar cadeias produtivas estratégicas de dois continentes, ao mesmo tempo em que evidencia uma relação econômica assimétrica — em que o Brasil ocupa posição central dentro do tratado. 🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, após mais de 25 anos de negociações. De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao velho continente. (entenda mais abaixo) Com esse desenho, Argentina, Uruguai e Paraguai tendem a ocupar uma posição secundária na dinâmica do acordo. Ainda que integrem oficialmente o Mercosul, a menor escala de suas trocas comerciais faz com que a UE conduza a negociação essencialmente a partir da relação com o Brasil. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Lula se encontra com representante da União Europeia no Rio de Janeiro Ricardo Stuckert/ Presidência da República De quem o Brasil depende Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as compras brasileiras junto ao bloco europeu estão concentradas em poucos parceiros. Em 2025, três países responderam, juntos, por cerca de 57% dos US$ 50,3 bilhões que o Brasil importou da UE. Alemanha: US$ 14,4 bilhões (28,6%); França: US$ 7,2 bilhões (14,3%); Itália: US$ 7,1 bilhões (14%). A composição das importações brasileiras evidencia uma dependência concentrada em bens de maior valor tecnológico, essenciais tanto para o funcionamento de serviços públicos quanto para a atividade industrial. Sendo eles: 💊 Medicamentos e produtos farmacêuticos: US$ 8,1 bilhões. 🚗 Autopeças: US$ 2,5 bilhões. ⚙️ Motores e máquinas não elétricas: US$ 2,4 bilhões. ✈️ Aeronaves: US$ 1,2 bilhão. 📐 Equipamentos de medição, verificação e controle: US$ 1,4 bilhão. 🧪 Compostos químicos: US$ 1,41 bilhão. José Pimenta, diretor de Comércio Internacional e sócio da BMJ Consultoria, ressalta que a retirada das tarifas tende a reduzir os custos de produção no Brasil ao baratear a importação de insumos da UE. Segundo ele, hoje a tributação eleva de forma significativa o preço final pago pelo produtor brasileiro. “Em alguns casos, o produto chega a pagar 35% ou 40% sobre o valor. Um insumo que custa R$ 100 mil pode chegar a R$ 140 mil na mão do produtor. Com a retirada das tarifas, esse mesmo fertilizante poderia chegar por algo em torno de R$ 100 mil.” Quem depende do Brasil? Para a União Europeia, o Brasil desempenha um papel relevante como fornecedor de insumos básicos e matérias-primas estratégicas. Segundo dados do MDIC, dos US$ 49,81 bilhões exportados pelo Brasil ao bloco europeu em 2025, 73% tiveram como destino cinco países. Holanda: US$ 11,7 bilhões (23,6%); Espanha: US$ 8,8 bilhões (17,7%); Alemanha: US$ 6,5 bilhões (13,1%); Itália: US$ 5,3 bilhões (10,8%); Bélgica: US$ 4 bilhões (8,1%). No caso holandês, esse protagonismo está ligado ao papel do país como hub logístico da UE, com destaque para o porto de Roterdã, principal porta de entrada de mercadorias que depois seguem para outros mercados do continente. Já para Espanha e Alemanha, a relevância do acordo vai além da ampliação das trocas comerciais. Segundo Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o tratado é visto como parte da estratégia europeia para fortalecer a economia diante das tensões geopolíticas envolvendo China e Rússia. “Foi visível o esforço desses países para viabilizar o acordo, que é visto como vantajoso para a União Europeia no contexto atual, especialmente pela necessidade de diversificação de mercados.” Esse interesse se reflete na composição da pauta exportadora brasileira para a UE, concentrada em produtos primários e insumos industriais — itens necessários para cadeias produtivas e para o abastecimento energético e alimentar do continente. Entre os principais estão: 🛢️ Óleo bruto de petróleo: US$ 9,8 bilhões. ☕ Café não torrado: US$ 7,1 bilhões. 🌱 Farelo de soja para alimentação animal: US$ 4 bilhões. 🔩 Minérios de cobre: US$ 3 bilhões. ⛓️ Celulose: US$ 2,1 bilhões. ⛰️ Minério de ferro: US$ 1,1 bilhão. E os demais países do Mercosul? Embora negociado em bloco, o acordo entre União Europeia e Mercosul apresenta uma estrutura assimétrica. O Brasil concentra a maior parte do peso econômico, enquanto Argentina, Uruguai e Paraguai participam em escala menor. (veja no gráfico abaixo) Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, essa diferença reflete tanto nos fluxos comerciais quanto na capacidade de influência política dentro do processo. A Argentina aparece como o segundo principal parceiro sul-americano no comércio com a União Europeia, mas a distância em relação ao Brasil é expressiva. Em 2024, as exportações brasileiras ao bloco europeu foram quase cinco vezes maiores que as argentinas, que somaram US$ 8,5 bilhões. Para Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), essa assimetria é agravada por um cenário político pouco favorável à coordenação regional. “O ambiente atual é muito ruim para o diálogo, sobretudo diante das dificuldades de interlocução entre o governo brasileiro e a gestão de Javier Milei.” O distanciamento político entre os presidentes Lula e Milei contribuiu para o esvaziamento do papel argentino na reta final das negociações. “Embora o acordo tenha avançado tecnicamente, a relação protocolar levou o Brasil a assumir o protagonismo diplomático, enquanto Buenos Aires perdeu capacidade de articulação”, avalia Bressan. Em contraste com a volatilidade argentina, o Uruguai apresenta uma trajetória de crescimento gradual e maior previsibilidade institucional. As exportações da UE para o país avançaram de US$ 418 milhões para US$ 2,1 bilhões em pouco mais de duas décadas. Ainda assim, segundo Bressan, o país enfrenta limitações técnicas para atender às atuais exigências ambientais do bloco europeu. “Diferentemente do Brasil, que conta com um arcabouço legal mais estruturado, como o Código Florestal, esses países partem de uma base regulatória mais frágil”, afirma a professora. No caso paraguaio, essas restrições se somam a um peso econômico reduzido na relação com o bloco europeu. Em 2024, as exportações da UE para o país somaram US$ 994 milhões, enquanto as importações ficaram em US$ 416 milhões, uma estagnação observada desde 2018. Mesmo tendo pouco peso no comércio com a UE, o Paraguai ganhou importância no processo em 2026 ao assumir a presidência temporária do Mercosul — cargo que conduz a etapa final de ratificação do acordo. INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul Arte/g1

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/17/acordo-ue-mercosul-por-que-o-brasil-e-o-centro-da-relacao-entre-os-dois-blocos.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes