Besouro-joia: conheça o inseto de brilho metálico flagrado em MG; VÍDEO

  • 22/01/2026
(Foto: Reprodução)
Besouro-joia: conheça o inseto de brilho metálico flagrado em MG Entre o verde das folhas, algo brilha de forma quase artificial. Não é um mineral, nem um reflexo isolado do sol, mas um inseto cuja superfície parece polida. O besouro-joia ou gorgulho-joia (Polyteles stevenii) transforma luz em cor e chama a atenção pelo corpo de tom verde-azulado intenso. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no WhatsApp O brilho metálico é um fenômeno natural relacionado à estrutura do corpo do animal. A interação da luz com a superfície das escamas resulta na iridescência – fenômeno óptico que faz superfícies exibirem cores vívidas. Entretanto, diferente da iridescência "tradicional", presente em arco-íris ou bolhas de sabão, o brilho desse besouro não muda bruscamente conforme o ângulo de visão. A reflexão das escamas permanece com a coloração uniforme e exuberante. O besouro-joia ou gorgulho-joia (Polyteles stevenii) Bruna Pinto Estratégia de sobrevivência Segundo Aline de Oliveira Lira, engenheira agrônoma, especialista na família do besouro-joia (Curculionidae), a função exata dessa característica ainda não é amplamente conhecida. Embora não haja comprovação ecológica plena, as evidências sugerem que o brilho pode contribuir para a cripse (camuflagem que permite ao inseto misturar-se com o ambiente) ou para o mimetismo (quando a espécie evolui para se parecer com outra e obter vantagens, como defesa), considerando a exposição frequente do animal sobre a vegetação. Veja mais notícias do Terra da Gente: DESCUBRA: Mama-cadela, a poderosa fruta do Cerrado que pode ser mascada como chiclete FLAGRA: Vídeo mostra filhotes de cuíca atravessando trilha no Jardim Botânico de SP SELVAGEM: 'O mundo pareceu parar', diz estudante que filmou harpia com arara-canindé nas garras “Como esses animais alimentam-se de plantas, passam longos períodos expostos sobre a vegetação. Nesse contexto, a coloração pode desempenhar um papel importante na redução da predação”, afirmou Aline. Como há poucos estudos específicos sobre a espécie no país, os hábitos são estimados com base na subfamília à qual pertence, a Entiminae. Conforme a pesquisadora, esses besouros são usualmente fitófagos, ou seja, alimentam-se de plantas. Por isso, prevê-se que os gorgulhos-joia passem boa parte da vida na vegetação, onde também se reproduzem. Registros fotográficos feitos por observadores da natureza confirmam as hipóteses, mostrando os insetos consumindo folhas e copulando sobre as plantas. O besouro-joia ou gorgulho-joia (Polyteles stevenii) Bruna Pinto O flagrante A fotógrafa e educadora ambiental Bruna Pinto registrou esse momento enquanto fazia uma observação no quintal de casa, em Santa Luzia (MG) (veja o vídeo acima). Apaixonada por registros da natureza, ela administra um perfil nas redes sociais onde expõe e informa sobre diversos insetos (@bu_quebichoeesse). Bruna conta que procurava ativamente por eles para fotografá-los, mas o encontro foi inesperado. Ao mirar a câmera para um percevejo, deparou-se com algo muito brilhante na folha ao lado. Para sua surpresa, era o "joia". “Quando me virei e vi o brilho azul fiquei emocionada, foi como ganhar na loteria! O que mais me chamou a atenção foi essa cor, azul metálico, com pontos que brilham e variam de tom quando bate a luz do Sol”, relatou Bruna. De acordo com ela, o besouro já havia aparecido nas plantas de sua residência em anos anteriores, geralmente entre outubro e dezembro. A educadora acreditava que não o veria nesta temporada, pois o período usual já havia passado, mas acabou "presenteada" com a aparição. Bruna destaca que, no Brasil, existe uma grande biodiversidade ainda pouco conhecida proporcionalmente à sua riqueza. Assim, mesmo uma espécie peculiar como o besouro-joia pode passar despercebida. O besouro-joia ou gorgulho-joia (Polyteles stevenii) Bruna Pinto Para ela, a educação ambiental é a chave: “Hoje, com as cidades e as tecnologias, as pessoas se desconectaram do mundo natural. E isso é terrível pra nossa espécie. A educação ambiental tem o poder, quando bem aplicada, de fazer essa reconexão, e mostrar que a gente pode ser tecnológico e conviver bem com a natureza também”. É uma espécie rara? Conforme a especialista Aline Lira, apesar de ser bastante chamativo, o besouro-joia não é considerado uma espécie rara. O fato de não ser visto com frequência em qualquer lugar está relacionado aos seus hábitos, já que ele ocorre majoritariamente em áreas verdes preservadas. Existem diversos registros disponíveis em plataformas de biodiversidade e de ciência cidadã feitos em diferentes regiões do Brasil, além de países como Argentina, Bolívia e Paraguai. A bióloga ressalta, porém, que o conhecimento científico está sempre em evolução e novos dados podem surgir. “É importante destacar que essa espécie não vem sendo estudada taxonomicamente há algum tempo. Por isso, é possível que existam outros registros ainda não publicados ou não digitalizados, por exemplo, em coleções entomológicas. Assim, a área de distribuição dessa espécie pode ser mais ampla do que a que conhecemos atualmente”, finalizou. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/01/22/besouro-joia-conheca-o-inseto-de-brilho-metalico-flagrado-em-mg-video.ghtml


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