Mulheres são maioria no Ceará e têm mais instrução, mas são mais afetadas pela pobreza
02/04/2025
(Foto: Reprodução) A população do Estado é composta por 4,7 milhões de mulheres (51,4%) e 4,5 milhões de homens (48,6%), conforme dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). Elas estão na gerência da maioria dos lares, mas são as mais afetadas pela pobreza e insegurança alimentar. No Ceará, mulheres ganham 10% a menos que homens
As mulheres são maioria no estado do Ceará, de acordo com dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). O estado tem cerca de 256 mil mulheres a mais do que homens. Ou seja: são 4,7 milhões de mulheres (51,4%) e 4,5 milhões de homens (48,6%).
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Elas também são maioria no aspecto da gerência de lares. Em 2023, as mulheres lideravam 54,5% das moradias em comparação a 45,6% das residências lideradas por homens. Apesar de estarem à frente desses lares, no entanto, elas são as mais afetadas pela pobreza e insegurança alimentar.
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📚💡 Veja abaixo os destaques do estudo sobre o perfil da mulher no Ceará divididos em quatro áreas: população e raça, educação, acesso a tecnologias e renda.
Censo mostra Brasil mais envelhecido do que nunca; mulheres são maioria
Luiz Franco/g1
Qual o perfil da mulher no Ceará?
Estudo do Ipece revela perfil da mulher cearense
Hiane Braun/Casa Civil e Ipece
➡️ População e raça
Os resultados da Pnad Contínua 2023 apontam que o Ceará tem cerca de 256 mil mulheres a mais do que homens. A população cearense é composta por cerca de 4.794 milhões de mulheres (51,4%) e 4.538 milhões de homens (48,6% da população).
Essa diferença fica ainda maior na faixa etária de 40 a 59 anos. A diferença proporcional de homens e mulheres na primeiríssima infância (pessoas de 0 a 3 anos) é maior de homens do que de mulheres. Já a diferença na parcela da população idosa (60 anos ou mais) mostra o contrário, tendo mais mulheres do que homens, proporcionalmente.
72,6% da população feminina cearense se identificou como preta ou parda, contra 25,9% branca e 1,5% indígena, amarela ou sem declaração.
Já no cenário nacional, a proporção de mulheres é maior em quase todos os estados e Distrito Federal. O Rio de Janeiro é o estado com a maior proporção de mulheres do Brasil, enquanto o Mato Grosso é o com menor proporção em relação aos homens. No comparativo com as demais unidades da federação, o Ceará fica em oitavo lugar.
➡️ Educação
A taxa de analfabetismo das mulheres de 15 anos ou mais, em 2023, foi de 5,2%, enquanto a dos homens foi de 5,7% no Brasil. Mais especificamente no Ceará, essa taxa foi de 9% para as mulheres, enquanto a dos homens foi de 14,1%.
A taxa de analfabetismo na população idosa (acima de 60 anos) é quase três vezes maior que a taxa de analfabetismo da população de 15 anos ou mais. Entre as mulheres idosas, essa taxa é menor que entre homens no Ceará, mas o indicador é muito alto quando comparado com mulheres de outra faixa etária.
Já o indicador de número médio de anos de estudo mostra que na população feminina cearense acima de 15 anos este dado é de 9,1 anos de estudo. Essa média é igual a da região nordeste e abaixo da do Brasil.
O analfabetismo é menor entre as mulheres do que entre os homens no Ceará e o nível de instrução delas superou o dos homens cearenses;
No ensino superior, as mulheres são a maioria. Enquanto 14,91% apresentaram nível superior completo, a proporção entre os homens da mesma faixa etária era de apenas 11,91%.
➡️ Acesso a tecnologias
As mulheres são o grupo populacional que mais tinha, em 2023, um telefone celular para uso pessoal, segundo a Pnad Contínua do IBGE (83,6%).
84,7% das mulheres utilizaram a Internet em 2023, 3,8 pontos percentuais acima do apresentado pelos homens (80,9%). Ou seja: quem mais utilizou a internet foram as mulheres.
➡️ Renda
A pobreza ainda é um problema que atinge milhares de lares brasileiros. O Ceará apresentou uma queda na proporção da população em extrema pobreza nos dois últimos anos, mas ainda há taxas altas.
Em 2023 no Ceará, 9,4% das pessoas viviam com renda abaixo da linha de pobreza internacional. Já a proporção de domicílios gerenciados por mulheres em situação de pobreza foi de 10,5%, maior do que por homens (7,9%). Em resumo: o estudo aponta que as mulheres enfrentam proporção maior de pobreza.
A maioria dos lares no Ceará é gerenciada por uma mulher. Em 2023, elas lideravam 54,5% das moradias, em comparação a 45,6% das residências lideradas por homens - uma diferença de 3,4 pontos percentuais.
O percentual de domicílios com maior prevalência de segurança alimentar são os domicílios chefiados por homens (70,5%). Mas a proporção de domicílios em situação de pobreza é maior em domicílios gerenciados por mulheres.
Entre os 20% mais pobres no estado, 61,4% são de domicílios liderados por mulheres (22,8 pontos percentuais a mais que os homens)
Sem programas sociais e de assistência, a desigualdade seria maior, de acordo com o estudo. O rendimento domiciliar per capita para as mulheres pobres no cenário que não receberam uma transferência de renda no Ceará seria de R$ 966,15. No cenário com transferência a renda domiciliar, esse valor seria de R$ 1.107,45.
Dados ajudam na tomada de decisões
A pesquisa foi elaborada pela assessora técnica Raquel Sales e pelo analista de políticas públicas Jimmy Oliveira. De acordo com Raquel, um dos destaques do estudo é o papel central que as mulheres têm desenvolvido na gestão dos lares.
"No Ceará já se reconhece o papel da mulher dentro do domicílio, é a grande maioria. Porém, quando a gente olha a questão dessa renda domiciliar, a gente viu que essa chefia da mulher é mais clara nos 20% dos domicílios mais pobres. Quando a gente olha nos 20% mais ricos, ainda é comandado pelos homens", explicou Raquel Sales.
De acordo com a pesquisadora, o objetivo do estudo é ajudar a embasar decisões políticas que podem impactar diretamente a vida das cearenses. Um exemplo são os programas assistenciais com transferência de renda, como o Bolsa Família.
O estudo aponta que eles podem impactar na desigualdade de gênero. O rendimento domiciliar per capita para as mulheres pobres no cenário que não receberam uma transferência de renda no Ceará seria de R$ 966,15. No cenário com transferência de renda domiciliar, esse valor seria de R$ 1.107,45.
"Como no mundo todo, as mulheres acabam sofrendo mais com a pobreza, com a insegurança alimentar, com a questão da violência. (O estudo) seria um embasamento para entender a situação socioeconômica da mulher hoje no estado do Ceará e como isso pode nortear algumas decisões, seja para dizer se estamos no caminho correto ou então melhorar em alguma coisa", comentou a assessora técnica.
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