Quase metade dos semáforos em SP ficam só 5 segundos abertos para pedestres, diz levantamento

  • 14/01/2026
(Foto: Reprodução)
Quase metade dos semáforos em SP ficam só 5 segundos abertos para pedestres, diz levantamento Quase metade dos semáforos da cidade de São Paulo ficam abertos apenas cerca de cinco segundos de tempo de travessia para pedestres, de acordo com um levantamento do Instituto Corrida Amiga, que analisou tempos semafóricos na capital. Segundo o estudo, 44% dos equipamentos ficam de 4 a 5 segundos liberados para atravessar a rua — um intervalo considerado insuficiente para quem não consegue andar rápido, como idosos, crianças e pessoas com deficiência. Na Avenida Rebouças, uma das principais vias da cidade, o movimento é intenso ao meio-dia e o pedestre não tem prioridade. A dona de casa Patrícia Lima relata a dificuldade diária para atravessar a avenida. “Fecha muito rápido. Teria que ter pelo menos um minuto, mas nem isso tem”, afirma. Situação parecida é vista no cruzamento das avenidas João Dória e Doutor Chucri Zaidan, no Jardim das Acácias, Zona Sul. Ali, segundo moradores e usuários da via, o semáforo quase não garante segurança aos pedestres. Em um dos trechos analisados, a ciclovia termina e bicicletas, patinetes, carros e motos passam a disputar o mesmo espaço. O tempo de travessia chega a 18 segundos. À primeira vista, pode parecer suficiente, mas quando a rua está cheia, a situação se complica. Márcio, que trabalha perto do local, diz que conhece bem o problema. A TV Globo testou alguns desses semáforos. Em um dos cruzamentos, ainda no meio do caminho entre uma calçada e outra, o sinal já começou a piscar no vermelho, obrigando pedestres a correr para concluir a travessia. Quem se sentiu inseguro acabou ficando para trás. No Centro da capital, na Bela Vista, em frente à Federação Espírita, a Rua Maria Paula — que integra o chamado “mini anel viário” de São Paulo e é caminho para quem segue às praças da Sé e João Mendes — atravessar em 12 segundos é arriscado a qualquer hora do dia. Além do tempo curto de travessia, aumentaram as reclamações sobre semáforos na cidade. Um levantamento feito pelo SP1 mostra que as queixas registradas no telefone 156 da prefeitura cresceram no último ano. Entre janeiro e setembro de 2025, foram 2.127 reclamações, número 14,23% maior do que no mesmo período de 2024. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirma que os tempos de travessia são definidos de acordo com a largura da via, mas que, em situações específicas, esse tempo pode ser ampliado. A companhia diz ainda que o aumento do número de faixas de pedestres também é uma possibilidade. O levantamento do Instituto Corrida Amiga mostra que, apesar de uma leve melhora, o avanço foi pequeno; A média do tempo verde para pedestres passou de 4,7 segundos para 5,8 segundos de um ano para o outro — um ganho de cerca de um segundo, ou aproximadamente 20% a mais; Do outro lado, o tempo médio de espera caiu de dois minutos para um minuto e 38 segundos; Ainda assim, mais da metade das travessias tem espera superior a 90 segundos, e houve casos em que o pedestre ficou mais de três minutos parado aguardando o sinal abrir. Quando são aplicados os parâmetros do Estatuto do Pedestre, que levam em conta crianças, idosos e pessoas com deficiência, o cenário se torna ainda mais grave. Segundo o instituto, 80% das travessias não oferecem tempo seguro para idosos, e 90% não garantem tempo suficiente para crianças e pessoas com deficiência. A diretora do Instituto Corrida Amiga, Silvia Stuchi, afirma que os tempos atuais não atendem à legislação: “O tempo semafórico, ele não é ideal, principalmente se nós pensarmos no público de crianças, pessoas com deficiência, pessoa idosa. Não tem tempo suficiente pra realizar sua travessia com conforto, segurança como colocado na Política Nacional de Mobilidade Urbana, bem como no Estatuto do Pedestre no âmbito municipal”, diz. Um exemplo citado no levantamento é o cruzamento da Avenida Paulo VI com a Rua Lisboa, na Zona Oeste. No local, os semáforos têm uma linha amarela, que indica o uso de inteligência artificial para ajuste em tempo real conforme o fluxo de veículos, ciclistas e pedestres — os chamados “semáforos inteligentes”. Mesmo assim, houve acúmulo de pessoas aguardando para atravessar, e o tempo variou de cinco a sete segundos até o canteiro central. Para concluir a travessia no segundo trecho, a dificuldade é ainda maior: mesmo acionando o botão, o tempo de espera chegou a quase dez minutos. O que diz a CET Em nota, a CET informou que o mesmo modelo de semáforo opera nos três pontos citados na reportagem: na Avenida Rebouças, na altura do número 965; na Rua Maria Paula, nº 140; e no cruzamento da Avenida João Dória com a Avenida Doutor Chucri Zaidan. A companhia afirmou ainda que equipes técnicas vão vistoriar os locais para conferir os tempos programados, o funcionamento das botoeiras e que, caso sejam encontradas falhas, medidas de manutenção serão adotadas. Semáforo para pedestre em SP Reprodução

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/01/14/quase-metade-dos-semaforos-em-sp-ficam-so-5-segundos-abertos-para-pedestres-diz-levantamento.ghtml


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